DISTÂNCIA
Longe você está.
Nos seus cabelos não posso tocar.
Nos seus olhos não posso olhar.
Nem sua boca beijar.
Imagino a sua beleza.
O seu modo de andar.
As feições sempre bonitas.
Quanta saudade me dá.
Lembro-me daqueles momentos.
Nos seus braços a te amar.
Levando as maiores loucuras.
Até aonde dois corações pode chegar.
Distância. Grande distância.
Porque estás a nos separar.
Espero que seja por breves momentos.
E que logo iremos nos encontrar.
Muito ansioso pelo instante.
Em que juntos novamente estaremos.
Para nos braços um do outro.
Todo o nosso amor revivermos.
Autor: Amilton Paulo Lemos – 5/6/2003
PANDEMIA
PANDEMIA
O coronavírus com sua força destruidora chegou.
A população local, estadual e mundial se espantou.
Foi um corre-corre de providências a serem tomadas,
Na procura de melhores ações para serem aplicadas.
Leitos nos hospitais aumentados, respiradores e máscaras comprados.
A agitação está sendo geral para as mortes serem estancadas,
Uma tamanha correria como numa guerra eclodida e generalizada.
Fala-se isso e aquilo, muitas coisas desencontradas,
A população como barata tonta a tudo ouve, sem poder fazer nada.
Restaurantes, bares, comércios, shoppings: fechados.
A economia indo rio abaixo em uma disparada,
Os PIBs dos países caindo e os governos com dificuldades para recuperá-los.
Quando tudo será normalizado?
Fala-se em life, home office, lockdown em uma quarentena desenfreada,
Nesta calamidade pública, distanciamento social e medidas restritivas adotadas.
Liberam verbas para socorrer empresas, desempregados e os necessitados,
Contudo, uma coisa importante nessa pandemia cresceu.
A solidariedade, o convívio, o amor ao próximo e a fraternidade renasceram.
As pessoas egoístas e desinteressadas reapareceram,
No entanto o espírito comunitário, ajuda ao próximo e de amor floresceu.
Os cuidados da higiene pessoal e do vestuário são um fator importante,
Tendo em vista o esquecimento deles por muitas pessoas.
Lave as mãos, passe álcool em gel, use máscara, a propaganda entoou,
Só assim a população doravante com certeza irá se cuidar.
Pena que alguns gestores e políticos dessa situação irão se aproveitar.
Comprando equipamentos a preços absurdos para o dinheiro embolsar.
Que Deus nos proteja de uma nova, violenta e abrupta pandemia.
Autor: Amilton Paulo Lemos – 11/5/2020
O Sonho da Folha
O SONHO DA FOLHA
Naquela folhinha seca
que o vento passou e levou,
havia sonhos depositados,
que o tempo não concretizou.
Enquanto verde e airosa,
vivia longe do chão;
o sopro forte dos ventos
não a incomodavam, então.
Frágil, uma simples brisa de outono
levou-a para um lugar ermo qualquer;
não lhe condoeu sua fraqueza;
os apelos, nem um pouco, sequer.
Naquele galho onde estava,
antes de se perder no ar,
ficou nele seu melhor sonho,
ainda por se concretizar.
A esperança depositada
na folhinha que foi embora,
não vá a vida mudar-lhe a sorte
nem a transformar em quimera, ora.
Decerto, o vento que a levou
não a trará de volta, jamais;
mas a natureza, como é justa,
ao que promete não volta atrás.
O sonho que estava na folha
que a brisa do outono carregou,
e que não chegou a ser realidade,
foi, outrora, a fantasia da flor.
A folha se foi para sempre,
deixando em seu lugar uma certeza:
logo ali haverá um lindo fruto:
realização de seu sonho e da natureza.
Autor:Antônio Francisco Sousa
Teresina/PI
Um Passarinho
Se eu fosse um passarinho,
Nos seus ombros pousaria.
Para confabular coisas bonitas,
E, muita e muita coisa contaria.
Iria voar bem alto.
E, lá de cima apreciar.
Seus movimentos no andar.
A procura de um lugar.
Seja no meio de uma grande cidade.
Ou, próximo de uma floresta ou mar.
Nada importaria somente seu olhar.
Sua meiga face com os olhos a brilhar.
Iríamos se você pudesse voar.
Tão alto onde o vento estaria a soprar.
Mostrando a todo mundo nosso flutuar,
Pois, ser pássaro é um dom que Deus dá.
Seria tão bom junto a você.
Apreciar as paisagens e o luar.
Flutuando sem vontade de parar.
Deixando a brisa nos nossos rostos tocar.
Autor: Amilton Paulo Lemos, 29/4/2018
Curitiba/PR
Inocência da Criança
Como é gostoso curtir uma criança.
Sua inocência alegra os adultos.
As crianças a partir do momento que despertam para o mundo
Rolam, tentam ficar sentadas, engatinham e finalmente andam.
Descobrir as diversas partes do corpo é encantador.
Balbuciar as primeiras palavras, falar trocando as letras e sílabas.
Pronunciar palavras erradas, as quais nós, adultos, sempre corrigimos.
Suas perguntas, seus gestos e suas fantasias as quais não alcançamos.
Enfrentam os perigos ao caminharem para o desconhecido.
É um corre-corre atrás para protegê-las dos perigos.
É um constante movimento e agitação, que nos deixa cansados.
Grande satisfação é vê-las desenvolver a inteligência.
Hoje em dia, na tenra idade, navegam no tablete ou resolvem quebra-cabeça,
Antes mesmo de saber escrever ou ler as letras e os números.
É um desafio constante para elas e para os pais, sua ânsia pelo aprendizado.
Qualquer pequeno espaço ou brinquedo é suficiente
Para aprontar suas traquinagens e travessuras.
Aos adultos compete orientá-las e passar novos conhecimentos.
Assim, elas vão crescendo e se desenvolvendo,
Até certa idade quando termina aquela fase da inocência.
Autor: Amilton Paulo Lemos, 2/4/2018
Curitiba/PR
TE AMO
Uma declaração bastante forte.
De uma pessoa enamorada,
Ou de um casal apaixonado,
De um pai para seu filho,
Ou de amigo para amigo,
Ou em um momento de despedida.
No nosso corre-corre do dia a dia.
Esquecemo-nos de duas palavras: “Te Amo”.
O significado é sublime e delicado.
Demonstra nosso carinho e amor,
Com pessoas que amamos.
Com quem gostamos de compartilhar,
Alegria e dor.
“Te Amo”. Será que amanhã, não sei!
Terei a oportunidade de beijá-la.
Abraçá-la, apertar sua mão e acariciá-la.
Assim, faço hoje minha declaração :“Te Amo”.
Autor: Amilton Paulo Lemos, 21/2/2017
Curitiba/PR
Amizade
Ter uma boa amizade é importante.
Encontrar amigos os quais não vemos a tempo.
Conversar e colocar os papos em dia.
É saudável, agradável e proveitoso.
Amizade é desprendimento.
Um cafezinho.
Um abraço.
Um sorriso.
São momentos preciosos da vida.
Relembrar fatos, passagens e acontecimentos.
Para os mais idosos, os filhos e netos.
São as lembranças que aparecem nas conversas.
Para os jovens os tempos escolares.
Lembranças dos namoros, bailes, festas e aventuras.
Há bastante assunto para conversar.
Uma boa amizade quando consolidada,
No passar dos anos ela torna-se duradoura.
Um amigo não se compra, se conquista.
A amizade está dentro do coração de cada pessoa.
Autor: Amilton Paulo Lemos
Curitiba/PR
Alzira Ebe: Ao Tempo Em Mim
Ao Tempo Em Mim
Agora é o hoje e antes foi o ontem e depois será o amanhã.
Mas se houver amanhã, o depois será o agora e hoje será o antes que é o ontem que se foi.
Os antes, agora e depois são os ontem, hoje e amanhã que vão e voltam no inexorável passar do tempo.
Hoje estou no meu agora e uma angustia me aflige procurando entender o imensurável do infinito, do eterno e do sempre.
Como entender o antes, o agora e o depois de tudo sem entrar em contradição com minhas intuições mais básicas?
Se nada se cria, nada se perde e tudo se transforma isto é um sempre.
Minha medida do tempo é a vida que tem começo, meio e fim, voltando a ser o pó de antes ou a energia do depois.
Portanto nada vem do nada.
Então como explicar a existência de algo que é por definição tudo que há, ou seja, o Espaço e o Tempo?
Acostumada com os limites do tempo e espaço não consigo sequer imaginar um Universo que sempre existiu e que é uma imensidão sem fim.
Há milênios o filósofo grego Protágoras já dizia que “O homem é a medida de todas as coisas”.
Assim sendo, penso que o Universo não existia quando não havia quem o olhasse, o admirasse ou o observasse em toda sua grandeza e mutações.
O Universo só é real porque nós o vemos e é algo que posso aceitar sem muita angústia.
Agora sou o que vivi do antes até ontem.
O meu ontem passou veloz e meu agora num piscar de olhos se extingue.
Hoje penso, amo, sofro, me alegro e espero terminar amanhã o que comecei ontem.
Agora lembro o que fiz e o que deixei de fazer antes.
Se ontem fosse hoje, faria muito mais ou não faria nada.
Meu antes deixou lembranças que ficaram como um vai e vem de ondas na memória do agora.
Oh! A memória.
A memória nasceu com meu primeiro vagido e é a única referência que possuo para entender a sequência de todos os meus antes, agora e depois.
Num instante respiro fundo e fecho os olhos para buscar dentro de mim todo ontem que vivi e o amanhã que espero viver.
Concentro ar e sangue no cérebro, imergindo numa escuridão que se assemelha à noite estrelada onde vejo pontos de luz se movendo e explodindo em chuveiros brilhantes que se desfazem em vultos e sombras sucessivamente, como se eu vislumbrasse o meu sempre.
Do meu antes, coisas que pouco ou nada significaram surgem espontâneas no meu agora.
Foram meus ontem que me fizeram ser o que sou hoje.
Sei que deixei muitos agora sem me importar com os depois.
Amanhã posso querer algumas coisas em vez de outras que ficarão no meu ontem.
Hoje farei o que antes sonhei, mas sei também que nunca realizarei algo que deixei para amanhã.
Vivo no agora, relembro os meus ontem e se houver o amanhã não sei o que farei ou pensarei no depois.
Autora: Alzira Ebe Donadio Albino
Enviada por: Alzira Ebe (Avaré/SP)
Tempo de Vida
TEMPO DE VIDA
A vida é passageira.
Para uns pode ser por minutos.
Para outros, centenária.
Não há um certificado de garantia.
O que nos garante é cuidar da saúde.
E, ser comedido no saber viver.
Não exagerar nas atividades, bem como, também,
Não ficarmos acomodados aguardando a vida passar.
Prepararmos nos estudos dos conhecimentos básicos.
Sermos laboriosos, ágeis, prestativos e amorosos.
O conviver com o semelhante é primordial.
Pois, temos de entrar numa vida de competitividade e embates,
Com o cuidado de nunca querer combater para eliminar.
Mostrar afeição, atitude e respeito são boas medidas.
O tempo passa e na vida vamos ganhando experiências,
Boas e más, temos que saber separá-las.
Há momentos de alegrias, preocupações e desespero.
No convívio familiar e entre amigos temos o nosso conforto.
A vida é uma eterna doçura a qual parece que não vai acabar.
Autor: Amilton Paulo Lemos – 3/4/2015
Enviado por: Amilton Paulo Lemos
Curitiba/PR
Djalma Neto: “O Poeta”
O POETA
Sendo boa ou ruim a vida está aí
Para ser amada ou odiada com o melhor do sentir
Lida ou vivida como um texto encantado
De palavras que montam um mistério enquadrado.
O poeta que sente entende o fazer
A malícia do verbo, a estratégia do ser
A guerra do dizer, a prisão do saber
Ensinado em sua sina de domínio da dor.
Ao desmontar o palanque do discurso que mente
Ao reforçar a palavra, convencer, tão somente
Com a rima faceira que decanta o amor
O poeta que encanta se faz libertador.
Escrever é assim um ato de paz
Do calor deslumbrante da alma que o faz
Um querer a todo instante toda a felicidade
A si mesmo, ao próximo, a toda humanidade.
Autor: Djalma Vasconcellos Grandson (pseudônimo de Djalma Jacobina Neto)
Enviado por: Djalma Jacobina Neto – Salvador/BA
MORRER
Morrer! É uma vida que se encerra.
Durante a vida muitas alegrias ou tristezas,
trouxemos aos nossos parentes e amigos.
Contudo, tivemos uma existência para viver,
curta ou longa não saberemos prever.
Choros e lágrimas no esforço do parto ao nascer,
faz parte da vida para sobreviver.
Já no mundo com conhecimentos teremos que competir,
com os fortes e os fracos sem exceção.
Com uma carga muito grande a qual nos leva ao estresse.
Durante a vida nosso caráter, nossas pretensões e ações,
a todos os momentos é uma prova de precisão.
Os fracos serão oprimidos e os fortes vencerão.
As lutas e novas conquistas a todo instante virão.
Se formos corretos e honestos ultrapassaremos.
E, com muitos esforços o sentido da vida descobriremos.
A idade avança, porém sempre se recordará,
que aos outros ajudou com orgulho e dignidade.
Se os exemplos não foram copiados e adaptados,
sua culpa não foi.
A idade vai avançando inexoravelmente,
com muita esperança e alegria a vida iremos levando.
Chega a hora e poderemos ir repentinamente de uma vez.
Todavia, nada deste mundo material levaremos.
Porém, deixaremos um legado para a eternidade,
de ética, honestidade, e de boa pessoa se assim agirmos.
Para os parentes e amigos que aqui ficarão.
Esse é nosso ciclo da vida até morrer.
AMILTON PAULO LEMOS – 29/11/2014
SILHUETA AGRADÁVEL
Um corpo de formas perfeitas.
Curvas bastante definidas e suaves.
Apreciado de qualquer ângulo.
Seja despido sem nada a cobri-lo.
Ou, com peças de vestuário a vesti-lo.
Assim é a mulher destes versos.
Ser humano de rara beleza.
Sensualidade feminina ímpar.
A qual atrai a atenção por si só.
Mostrando simpatia e generosidade.
Meiguice, franqueza e transbordando de amor.
Uma mulher muita simpática e bonita.
A caminhar com leveza, num raro porte físico.
Sobressaindo e atraindo os olhares curiosos.
Com a cintura fina e quadris largos.
No entanto, de uma lindeza sem fim.
Amilton Paulo Lemos – 25/6/15
Jandyra Adami: poesia “Diário de um amor”
A noite é longa e assustadora. Lá fora a chuva cai fortíssima
carregando tudo que encontra pela frente.
Casas desabando, carros arrastados
raios e relâmpagos cruzando o céu
na certeza cruel de assustar pessoas
e destruir o que achar em seu caminho.
Estou tranquilo em meu leito lendo o Diário
que escreveste, o nosso Diário, do nosso amor…
Cada página que leio vivo de novo, intensamente,
como se estivesses comigo. Chego a sentir teu perfume,
teu sussurro ao meu ouvido dizendo palavras de amor.
Sinto tuas mãos passeando em meu corpo
como se fosse real o nosso encontro.
Com minhas mãos acaricio teus cabelos, sedosos, brilhantes,
e, tenho a sensação de que estás comigo.
Tudo está escrito aqui, nestas folhas,
amareladas pelo tempo mas que registram tudo que vivemos.
Foi bom meu amor, muito bom te conhecer, te amar,
ser amado por ti aqui neste mundo cruel
onde os corações apaixonados nem sempre podem
realizar seus sonhos de amor, de viverem juntos,
intensamente, cada minuto da vida.
Permaneço fiel a ti, como combinamos.
Nas noites de saudade, deito e leio nosso livro de amor,
onde contas o que vivemos, tão explicadinho,
com aquele seu jeitinho de escrever e narrar nossos momentos.
Tua camisola está aqui, em teu lugar. Olho para ela e te vejo,
alegre e sonhadora, confiante na vida, na vida que te foi roubada,
sem aviso, sem dar tempo de nos despedirmos.
Se queriam nos separar não conseguiram.
Continuarei te amando até que chegue o dia em que
seja chamado para ir ao teu encontro…
E a nossa cama ficará vazia para sempre.
Vou deixar em cima dela o nosso Diário.
Quem sabe, alguém que o pegue, possa ler a nossa história,
a história de duas pessoas que se amaram na terra
e serão felizes, eternamente no céu…
Autora: Jandyra Adami
Enviado por: Jandyra Adami
Belo Horizonte/MG
José Cezar Matesich Pinto: Poesia ‘Inversão de Valores’
INVERSÃO DE VALORES
Dizem que o povo tem curta memória
E quase sempre esquece pra quem vota.
O que ontem seria uma anedota,
Hoje é motivo de uma séria história.
É uma sentença pública e notória
Que o homem, que tem preço, se devota
A defender a ética que adota,
Até uma situação compensatória.
Por isso que em processos eletivos,
O poder cai nas mãos de quem é vivo
E mascara melhor o que oferece.
E, na inversão sumária de valores,
Cada povo, por troca de favores,
Terá sempre o governo que merece.
Autor: José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
José Cezar Matesich Pinto: Poesia ‘Desatinos’
DESATINOS
Essas crianças que se vão embora
Se soltando das mãos de quem as ama,
Mal explode o amor com sua chama
Saudando a vida que se comemora.
Alçam seus voos quase antes da hora
Indiferentes ao velado drama
De quem se agita insone sobre a cama
Sofrendo as longas horas da demora.
Lá fora a noite move em suas entranhas
As rotinas festivas, mas estranhas
Aos sonhos libertários das crianças.
Por isso as vezes loucos desatinos,
Vem de encontro à meninas e meninos,
Na contramão fatal das esperanças.
Autor: José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jandyra Adami: poesia “Meu Filho”
MEU FILHO
Quando te notei em mim
Eras menor que a cabeça de um alfinete
Entretanto, já fazias parte do meu ser
Respiravas a minha respiração
Alimentavas-te através do meu sangue
Sentias bem de perto o bater do meu coração
Aqui de fora eu também sentia o teu
Aos poucos foste crescendo,
E com isto transformando meu corpo
Numa modificação gloriosa
Pois nada se compara ao corpo sem curvas
De uma mulher grávida.
Sem te conhecer eu já te amava
Sem saber se eras menino ou menina
Escolhia nomes para teu Batismo.
Durante oito meses ficaste comigo
E só eu tinha a dádiva de sentir-te,
De saber que existias, com todos os reflexos
da vida que terias, tu me chutavas,
batias com as mãozinhas em meu ventre,
que com muito carinho te guardava
Estavas protegido de todos os perigos
Pois somente eu tinha acesso ao teu corpinho.
Através das mãos que te acariciavam
aqui do lado de fora
Para os outros eras um sonho…
Parte de tua vida em mim ficaste sentado
Era difícil aguentar aquela dor diferente
pois quando mexias, minha barriga toda doia
Por confusões de sangue, negativo e positivo,
Tiveste que deixar o teu troninho
Pois eras meu Rei mesmo antes do nascimento
Parto cesariana, chegaste chorando como tem que ser
Eu não te vi pois dormia, e este prazer quem teve primeiro
Foram as pessoas que mais te amaram depois de mim:
Papai Antônio e Vovó Geralda
Eras tão pequeno meu filho, com oito meses apenas
Uma transfusão de sangue, um susto grande para nós:
Tiraram todo teu sangue para que pudesses viver
Ficaste na encubadora por cinco dias
Mas, desde o começo, ias ao quarto para mamar
Sugavas meu seio com tanta força que eu pressentia:
“este menino vai ser muito grande e guloso também”
E assim aconteceu, o milagre da vida, a tua vida…
E depois, com o correr do anos, eu posso dizer
sem medo de errar: valeu a pena tudo que passei,
todos os exames que fiz na gravidez , as horas de
medo, de angústia, tudo foi muito pouco
pois tu és tudo aquilo que imaginamos,
que pedimos a Deus: saudável, humilde,
bom filho, amigo, bom tudo.
És belo e forte. Tua grandeza de espírito,
tua generosidade, teu caráter, medem tanto quanto tu
1.90 de bom marido, bom pai, bom filho, repito.
Que pena a vovó ter partido antes de conhecer tua família?
Obrigada Júnior por teres escolhido meu ventre
para teu renascimento
Obrigada meu Deus, pelo presente de tê-lo consentido…
Autora: Jandyra Adami
Enviado por: Jandyra Adami
Belo Horizonte/MG
Djalma Neto: poesia ‘Pedras portuguesas da Matriz’
PEDRAS PORTUGUESAS DA MATRIZ
Eu tinha minha alma vazia
Tal como ainda não habitada
Faltava-me um encanto ao dia
Uma razão para a caminhada
Sentava-me no banco da praça
Entretido com grandes amigos
Desejava contudo uma graça
Um amor que me desse sentido
Foram os arabescos do chão
Da Matriz lá de Jacobina
Que me despertaram em paixão
Por uma deusa-menina
Eram as pedras portuguesas
Que sob a luz dos vagalumes
Falavam-me de tanta beleza
Que me tocava em ciúmes
Imaginei cada pedra pisada
Pelos passos de seu caminhar
Ah, mas que inveja danada,
Como se lhes andasse a beijar
Foram essas pedras amigas
Companheiras das madrugadas
Que me fizeram chegar
Aos braços da minha amada.
Autor: Djalma Jacobina Neto
Enviado por: Djalma Jacobina Neto
Salvador/BA
José Cezar Matesich Pinto: Poesia ‘Vereda de paz’
VEREDA DE PAZ
MINH’ALMA ANDA ESCONDIDA DE MIM MESMO,
ATRÁS DE SOMBRAS QUE ME VÊM DE FORA,
POR ONDE A HUMANIDADE SE DEVORA
E DISTANTE DA PAZ, CAMINHA A ESMO.
PRECISO DE UM LUGAR QUE ME PROTEJA
DA VIOLÊNCIA DESTE MUNDO LOUCO,
QUEM SABE ENTRANDO PRÁ REZAR UM POUCO
NA INTIMIDADE DE MINHA PRÓPRIA IGREJA.
NÃO EXISTE NENHUMA OUTRA RECEITA,
PARA CURAR MEU SER QUE PEDE VASA,
QUE ME INTERNAR EM MINHA PRÓPRIA CASA,
ONDE QUALQUER INQUIETAÇÃO SE AJEITA.
NECESSITO TOMAR UMA ATITUDE,
PARA FAZER AS PAZES COM MINH’ALMA,
QUE, AGITADA E CARENTE, NÃO SE ACALMA,
ENQUANTO EU MESMO NÃO ME ENCONTRE E MUDE.
VOU PROCURÁ-LA E ME TORNAR CAPAZ
DE COM ELA FICAR NUMA VITRINE,
MOSTRANDO ALGO DE BOM QUE NOS ENSINE
O CAMINHO DE VOLTA PARA A PAZ.
ESSA PAZ, QUE É VEREDA PARA DEUS,
DE ONDE O HOMEM SEM FÉ SE DESCAMINHA,
POR TER PLANTADO MUITA ERVA DANINHA
NOCIVA PARA ELE E PARA OS SEUS.
Autor: José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Amilton Paulo Lemos: Crônica: Meu querido, meu velho
O nome desta crônica lembra a música de Roberto Carlos “MEU QUERIDO, MEU VELHO, MEU AMIGO”. A música diz tudo o que é ser um pai. Um pai conselheiro, amigo para todos os momentos. Um pai exemplar e dedicado aos seus filhos. Um pai que vai ficando idoso, com seus cabelos brancos e o filho acompanhando essa trajetória.
Nos dias atuais, o pai é mais moderno e está plugado à era digital, com isso leva seu filho a inteirar-se, desde criança, à informatização. Acredito que muitos já observaram uma criança nos seus tenros dois anos, correndo o dedinho ou digitando algo em um videogame, tablet ou computador. O computador, cada vez mais, está sendo indispensável no cotidiano das pessoas. O pai de hoje em dia é mais moderno, pela dedicação, ao cuidar, juntamente com a mãe, dos banhos, trocas de fraldas e preparação das mamadeiras de seus filhos. Coisas que alguns anos atrás eram tarefa exclusiva da mãe, a sociedade entendia que não eram dever de homem. O pai era absorvido com maior intensidade pelo filho, quando ele começava a andar, falar, realizar perguntas interessantes, brincar com carrinhos e as meninas, com bonecas e outros entretenimentos.
Hoje já não há mais muitas crianças a soltar pipa após fazer as lições escolares, jogar bolinhas de gude, bolitas e piões com os amigos. Disputar a virada de figurinhas com uma batida da palma da mão entrefechada sob uma superfície lisa. Caçar com a funda (estilingue) passarinhos. Brincar de esconde-esconde, enfim, brincadeiras que as crianças quase não praticam. Elas gostam mais de televisão, jogos eletrônicos e computadores. Os próprios pais incentivam essa parafernália da informática.
O pai é uma pessoa importante na formação do seu filho. É o espelho para as ações e atitudes dos mesmos, pelo seu porte físico que aparenta às crianças e procedimentos junto à família. Mesmo cheio de tarefas no seu dia a dia profissional. Ser pai é dar segurança à família nos momentos certos, passando suas experiências.
O pai aparenta ter um desgaste físico maior que o da mãe. Isso é consequência das decisões e execução nos trabalhos na empresa na qual é proprietário ou funcionário pelo receio de dar qualquer passo em falso e levar a família para situação de insegurança e desespero. A família é o esteio que lhe dá alegria, felicidade, força para o enfrentamento nas conquistas e prosperidade. Caminhar junto à família dando amor, estendendo a mão ao filho nas suas dificuldades, é a missão de um bom pai.
Ser pai é encaminhar o filho para os enfrentamentos da vida, mostrando o certo e o errado. Orientando-o para não cair na desgraça de vícios, os quais debilitam a família, desestruturando e levando-a a situações desesperadoras. Em alguns casos, chega à morte de membros da família. Ser pai nos tempos atuais, com todos os avanços tecnológicos, traz preocupações cujos avós não tiveram. Ser pai é ter alegria no nascimento do filho e felicidade nos sucessos obtidos na vida, estendo suas mãos.
Feliz Dia dos Pais!
Autor: Amilton Paulo Lemos
Curitiba/Paraná
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia “De lobos e cordeiros”
De lobos e cordeiros
Quando há lobos rondando nosso ambiente
Precisamos andar com mais cuidados,
E olharmos pelo menos para os lados
De onde os riachos trazem a corrente.
Pois se mistura a fontes transparentes
A atitude dos mal-intencionados,
Que botam farpa em nossos alambrados
Tentando se passar por inocentes.
Por isso é que na estrada onde caminhas
Há muita coisa a ler nas entrelinhas
Que definem os rumos verdadeiros.
Porque aos lobos que matam sua fome,
Não interessa o bem que ele consome,
Nem que a culpa não seja cordeiros.
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia Status quo
Status quo
Amilton Paulo Lemos: Cronica Ser Mae
Ser Mãe
Um dos destinos de uma mulher pode ser o da maternidade. Muitas mulheres com quem converso proporcionam-me a satisfação de ouvi-las falarem dos seus filhos. Há um prazer na mulher de esperar o nascimento do filho, entretanto é uma rotina torturante nos primeiros meses, com seus enjoos, e outros desconfortos naturais da gestação por nove meses.
A futura mãe precisa de cuidados especiais neste período, o qual merece muita atenção com quedas, solavancos diretos na barriga e outros choques; com bebidas, cigarros, drogas, esforços exagerados e inúteis que levariam a mãe a exaustão e preocupações desnecessárias. O descanso e menos agitação é o aconselhável.
Contudo, o que nos motivou a escrever sobre a mãe é o importante papel que as mães têm na vida de um filho externando seu carinho, dedicação e amor. Muitos dos filhos não teriam sucesso na vida sem a orientação da sua mãe. É com gratidão que desejo a todas as mães um lindo e prazeroso dia. Obrigado mães.
Enviado por: Amilton Paulo Lemos
Curitiba/PR
Amilton Paulo Lemos: Poesia Pessoa Amiga
Autor: Amilton Paulo Lemos
Enviado por: Amilton Paulo Lemos
Curitiba/PR
Amilton Paulo Lemos: poema Respeito a Mulher
Respeito à Mulher
A mulher é um ser humano emotivo e igual ao homem.
Não podemos cometer atos, contra elas, que as desonrem.
Nos países que as fazem escravas e submissas ao homem
Devemos lutar para encerrarem estes atos que a desabonem.
A mulher é uma pessoa que é leal ao companheiro,
Nas horas alegres, tristes, vitoriosas e sem dinheiro.
Por isso, e muito mais, o nosso respeito merecem,
Pois, muitas delas aos seus filhos engrandecem.
Quando somos crianças às nossas mães recorremos,
No momento do amamentar e nas horas dos acalentos.
Enquanto, do pai, pouco precisamos nestes momentos,
Sendo o carinho da mãe que alivia os nossos tormentos.
Há homens violentos neste mundo que não a distinguem.
Ora insultam, ora violentam, ora ofendem, ora a agridem.
Contudo, as mulheres têm um valor e uma força moral,
Que alguns países deixam de reconhecer e as tratam mal.
A mulher tem os mesmos direitos, respeito e honraria.
A galgar as mesmas posições sociais do homem no dia a dia.
Seja nas profissões, nos cargos e nos deveres que uma Pátria cria.
Deve ser uma pessoa amada, respeitada com cidadania.
Autor: Amilton Paulo Lemos
Enviado por: Amilton Paulo Lemos
Curitiba/PR
Jandyra Adami: poema “Sem compromisso”
Sem compromisso
Eu quero amar sem compromisso, sem ter que dar satisfações a
ninguém.
Quero que me pegues pelo braço e leves onde teu
querer mandar…
Vamos curtir sozinhos nossas vidas, nossos desejos de
almas gêmeas que um dia se encontraram, por
acaso, nas circunstâncias que a vida presenteia àquelas pessoas que
procuram com obstinação a felicidade, a qualquer preço.
Vamos seguir nossos caminhos juntos e parar onde for o ponto ideal
para ancorar nossos corpos e deixar que o amor
faça deles o que quiser…
Pode ser numa cachoeira, num campo bem
verdinho, naquela relva macia à sombra de uma frondosa àrvore.
Talvez um chalézinho, bem no centro daquela mata, onde o ar é tão puro que chega a ser perfumado…
Iremos até onde o céu encontra a terra, lá longe… e depois retornaremos, com a certeza de que nosso amor é tão lindo como o arco-íris que avistamos
após aquela chuva que caiu antes do anoitecer…
Voltaremos exaustos para a selva de pedra e, cada um para o seu lado,
recordaremos os os momentos vividos juntos.. só nós, a sós…
Que delícia a vida!!!
Autora: Jandyra Adami
Enviado por: Jandyra Adami
Belo Horizonte/MG
Ernesto Weber Rossa: poesia Canto pela Paz
Canto pela Paz
Voa simbólica pomba branca
Voa bem alto e muito ligeiro
Percorre logo o mundo inteiro
Levando esta mensagem franca
Ao budista, judeu, muçulmano,
E também ao que se diz cristão
Enfim a todo vivente ser humano
Que esteja em paz, ou ainda não.
Vai pelo mundo carente de paz, vai
Leva a toda criatura esta afirmação:
Todo ser foi gerado pelo mesmo Pai
Para vir aprender e evoluir na Terra.
Acredite nesta mensagem ou não
Necessita acabar com toda guerra
Pois cada um é do outro o seu irmão.
Esta é a real e grandíssima verdade
A ser aprendida pela humanidade.
A fim de acabar com o danoso mal
0 caminho é o da vera fraternidade
Porque como este não há outro igual
A verdadeira Fraternidade Universal.
Autor: Ernesto Weber Rossa
Enviado por: Ernesto Weber Rossa
Florianópolis/SC
Jose Peixoto Junior: Poema Modestia a parte
Modéstia à parte
Eu quase que cheguei a sonetista.
Fazia versos com rigor e arte,
Não eram versos ruins, modéstia à parte,
Mesmo não sendo versos de um artista.
Eu me considerava bom versista,
Modéstia à parte, posso confessar-te
Não decorava os versos meus, destarte
Não podia deles ser propagandista.
Os produzia assim, de improviso,
Arrebanhava ritmo e rimas
E os soltava à toa sem mandar aviso.
Reconheço, não foram obras-primas.
No versejar eu, hoje, já agonizo,
Seca-me a terra das frutas opimas.
Autor: José Peixoto Júnior
Enviada por: José Peixoto Júnior
Brasília/DF
Amilton Paulo Lemos: poesia Mais uma noite
Mais uma noite
Um dia de trabalho estafante e de realizações.
Retorno para o lar a fim de estar junto à família.
Os passarinhos em revoada chilreando se recolhem.
A brisa suave denota que logo a noite chegará.
O sol se põe no horizonte em raios dourados.
Pessoas sentadas nos bancos dos jardins conversando.
As crianças nas calçadas, umas a correr e outras pedalando a bicicleta.
Muitas babas empurrando carrinhos de bebês.
Algumas pessoas caminhando com sacolas de compras.
As vitrinas começam a acender-se.
A vida não para, as horas correm. Tudo se movimenta.
Lá vou eu à janela do ônibus apreciando a tudo e a todos.
Pensando cá com os meus botões: “Que belo dia foi hoje!”
Vêm uma, duas, três, finitas sinaleiras. Umas abertas outras fechadas.
É um entra e sai de passageiros. Todos com diversos semblantes.
Como é bela a vida. Que maravilhoso se os homens fossem sinceros.
Se não houvesse ladrões, traficantes, bandidos, corruptos e espertalhões.
Se as pessoas não fossem invejosas, gananciosas e opulentas.
Se não existisse a pobreza, misérias e a falta de conforto.
No próximo ponto de ônibus descerei para dirigir-me à residência.
Despeço-me dos conhecidos e dos companheiros de viagem.
Aproximo-me de casa e noto os meus filhos brincando.
Que beleza. Crianças saudáveis sem preocupações.
Saúdo-os e é só alegria. Em seguida beijo a esposa.
Recolho-me para tomar aquele banho gostoso.
As crianças também se recolhem e todos se preparam para o jantar.
Durante a refeição conversamos animados colocando as conversas em dia.
Chega a hora de dormir e todos se recolhem aos seus leitos.
Em conversa com a esposa planejamos o dia seguinte.
Finalmente, chega o sono e dormimos tranquilamente, mais uma noite.
Autor: Amilton Paulo Lemos
Enviada por: Amilton Paulo Lemos
Curitiba/PR
Alzira Ebe: Conto ‘O curandeiro’
O curandeiro
O velho Zé Bento tinha um único filho, Toninho, deixado pela mulher quando morrera de doença do coração.
Zé Bento nascera na fazenda e dela nunca saíra. Tudo que conhecia deste mundo era o imenso canavial, um oceano verde que se estendia em toda direção.
Assim como seu pai e avô o fizeram, após a labuta diária, Zé Bento folheava o Manual de Medicina Popular do Dr. Chernoviz, já gasto por tantos anos de uso e com marcas de mão.
No manual encontrava a descrição das moléstias, bem como os conselhos úteis e medicamentos que deveriam ser empregados em cada uma delas, de fácil formulação.
O povo das redondezas recorria a ele em busca de alívio para suas dores e males, já que Zé Bento era o curandeiro da região.
Na horta havia muitas ervas, como alecrim, boldo, camomila, hortelã e agrião. Seguia as orientações do livro para utilizar as plantas em infusão ou maceração.
Só se afastava de sua casa a fim de visitar um amigo ou parente, ou para levar alívio das dores e cura a um doente ou para velar um corpo e confortar a família enlutada com uma oração.
Das modernidades da cidade só conhecia os caminhões que transportavam a cana, os tratores, um velho radinho de pilha que trocara com um motorista por um galo briguento e o carro do patrão.
Seu filho Toninho desde criança ajudava o pai, indo até onde estava a lida, matando a sede dos trabalhadores suados, oferecendo água fresca de um garrafão.
Toninho começou a fazer pequenos trabalhos de adulto assim que teve forças para segurar uma enxada ou um facão.
Pai e filho ouviam no rádio as notícias de desastres, mortes, crises econômicas, vida de artistas, jogos de futebol e as músicas sertanejas que falavam de amor, vingança e traição.
Com isso, Toninho prometeu a si mesmo que sairia daquela fazenda e correria o mundo em busca de diversão.
Um dia, na cidade, Toninho soube que estava havendo um curso de tratorista e procurou se inscrever. Não conseguiu, pois era exigido o diploma de primeiro Grau, o que lhe causou grande decepção.
Para se informar sobre a continuação de seus estudos, Toninho foi até a cidade pedalando sua bicicleta comprada de segunda mão.
Inscreveu-se no Curso Supletivo e em aproximadamente um ano e meio, Toninho conseguiu seu diploma de Primeiro Grau, superando a primeira fase de seu projeto de vida, sendo que agora poderia dedicar-se ao aprendizado de uma profissão.
Foi na praça que viu pela primeira vez Maria, moça miúda, clarinha, de cabelos escuros e ondulados, vestida com elegante simplicidade, que lhe chamou a atenção.
Maria viu Toninho e sorriu. Aquele sorriso o emocionou e acelerou seu coração.
Domingo vai, domingo vem, Toninho sempre vendo Maria de longe, recebendo tímidos sorrisos que lhe causavam muita emoção.
Aos poucos, as trocas de sorrisos foram se transformando em trocas de cumprimentos, depois em conversas e em pouco tempo os dois já passeavam na praça de mãos dadas, bem juntinhos, de cochichos nos ouvidos um do outro, demonstrando grande paixão.
Foi um amigo que lhe preveniu que a garota não era para o seu bico, pois era filha de gente rica que morava na cidade, num casarão.
Procurou saber quem era sua família e, pergunta daqui e de lá, sem dar muita bandeira, perturbado, de coração palpitante, descobriu que Maria era a filha do dono da fazenda, seu patrão.
Nenhum dos dois contara nada em casa, pois sabiam que iriam receber desaprovação.
Entretanto, numa noite, o patrão entrou pela casa de Zé Bento, brandindo um chicote, distribuindo pancadas até que este caiu prostrado no chão.
Assim que Toninho chegou da escola, o patrão avançou para ele, batendo em seu rosto, costas e braços, gritando para que tomasse vergonha na cara, que ficasse no seu lugar que era no mato, se afastasse de sua filha e de suas terras, pois caso contrário tomaria uma pior decisão.
Toninho foi acudir o pai, que estava quase desmaiado, e juntos ficaram se limpando, passando álcool com alecrim nos cortes, para aliviar a dor e evitar inflamação.
Na madrugada, juntaram suas poucas coisas e foram se abrigar na orada abandonada que ficava em terras de ninguém, para se esconderem por uns dias até que pudessem ficar livres da ira do patrão.
Toninho começou a ganhar uns trocados trabalhando em serviços de jardinagem e limpeza na cidade, enquanto estudava e procurava uma nova acomodação.
Nunca mais viu Maria, nem na igreja nem na rua, pois a moça era vigiada noite e dia, o que lhes impedia de ter qualquer comunicação.
Toninho todo dia voltava para a orada onde o pai ficava cuidando da limpeza do lugar, que servia de um bom esconderijo e no momento era a única solução.
O povo da redondeza esperava Toninho na estrada a fim de pedir os remédios do pai para uma criança gripada, uma parturiente enfraquecida, para aliviar as dores de um velho reumático ou para acalmar um coração.
Zé Bento nunca reclamou com o filho por ser o causador daquela situação.
Só se lamentava por ter abandonado seus canteiros de ervas, pois suas garrafas de compostos estavam quase vazias e não queria se arriscar a buscar as plantas em sua antiga morada, com medo de ser surpreendido pelo patrão.
Um dia, Zé Bento ouviu um tiro e uma gritaria de dor e desespero, vindo da direção de um capão de mato perto de sua morada e correu pegar o facão.
Aproximou-se cuidadosamente do barulho e entre os arbustos viu o antigo patrão urrando de dor, apoiado no tronco de um chorão.
O homem pediu ajuda, pois quando fora pegar uma codorna que matara com um tiro, uma cobra lhe picara mão.
Zé Bento correu para pegar uns pedaços de carvão num fogão que tinha montado no chão.
Socou-os num pano e voltou apressado para colocar sobre a picada da cobra na mão do patrão.
Apreensivo, disse ao antigo patrão que não podia ajudar mais porque não tinha as ervas necessárias para fazer uma preparação.
O patrão gritava que não podia ficar ali e morrer sozinho, sem socorro e medicação.
Zé Bento retrucou que, socorro não poderia prestar, mas que sozinho o patrão não iria morrer, pois ficaria com ele até que a morte viesse lhe buscar para levá-lo ao lugar de purgação.
Alzira Ebe.
Enviada por: Alzira Ebe (Avaré/SP)
Avaré /SP
Djalma Jacobina Neto: Poema O heroico aratuense
O heróico aratuense
Tributo a Cleomir Ferreira Pontes
Algum tempo atrás uma criança por aqui brotou
Abriu os braços aos céus e em um desejo profundo
Balbuciou sobre um certo futuro de encantos de Iemanjá
Com bravos gritos a um mar sulcado pelas veias do mundo
Chamou pelas divindades no anseio de um destino ensejo
Esparramou-se em um almejo tão lindo uma revoada de bênçãos
Sobre uma terra promissora de amores e de alegrias
Em um rincão tão belo e sagrado de um estado de alma Bahia
O menino que em espírito tão livre sentia-se em pura energia
Tão jovem e já em tenra mirada visava o horizonte azul
Desejo que de tanto fervor cativou uma alma que havia
Amante de uma água então fria do mar da baía de Aratu
Chegou assim ao termo clamado por uma criança pujante
Com um destino marcado por deuses para a faina servir
Honesto e em humilde vontade grande alma cativante
Galante e amigo sereno em forma de ser de Cleomir
Era um desafio à altura do bronze de um brio infatigante
Um porto do mundo que frágil como uma criança se pense
Viu-se protegida de tudo pela verve fulgurante
De um ser humano vertido em HERÓICO ARATUENSE.
Autor (a): Djalma Jacobina Neto
Enviado por: Djalma Jacobina Neto
Salvador/Bahia
Jandyra Adami: poema “Eu queria voltar no tempo…”
Eu queria voltar no tempo…
Eu queria voltar no tempo.
Qualquer dia…qualquer hora.
Viver o que não vivi.
Ser mais feliz do que fui
Queria aproveitar os momentos.
Ter e dar alegria em abundância
Ser mais otimista e alegre.
Saber encarar meus 20 anos
com a felicidade e o charme que tinha,
para desfilar em todas as passarelas.
Vibrar mais com os aplausos…
Acreditar que era bonita e
aceitar os galanteios com prazer…
Queria ter meus 11 anos,
quando recebi Jesus pela primeira vez
em meu coraçãozinho tão puro.
Aproveitar bem a presença de meu pai,
antes de sua partida quando eu tinha só 10 anos.
Voltar à infância, naquela pureza de meu tempo.
Cantar, dançar, com meu pai ao piano.
Fazer tudo que fazia, com a família reunida.
Cabelos cacheados, olhos bem verdes…
Linda menina eu era…
Voltar para os braços da mamãe e de todos.
Ser aquele bebê bonito que todos amavam.
Alimentar-me com o leite materno,
mais puro e cheio de amor,
amor de mãe que é o maior que existe.
Queria depois, voltar ao útero materno,
lugar mais protegido que tem o ser humano.
E, finalmente,
queria ser o orgasmo de um casal apaixonado,
pois eu fui feita com muito amor…
O verdadeiro amor de duas pessoas
que viveram somente uma para a outra:
Meu pai e minha mãe…
Autor (a): Jandyra Adami
Enviado por: Jandyra Adami
Belo Horizonte/MG
O poema faz parte do e-book “Sonhos e Lembranças”. No texto, a autora mistura ficção e realidade, conduzindo o leitor a uma atmosfera surreal, onde sonho e realidade se confundem num sentimento de acalento e doçura.
Jandyra é Auditora Fiscal aposentada, nasceu em Santa Rita do Sapucai, Sul de Minas Gerais.
A colega tem cinco livros publicados “Rosas e Espinhos”, “Passarela da Vida”, “Para Todos os Momentos” , “Devaneios” e “Palavras ao Vento”.
Para conhecer melhor Jandyra, visite:
MENU:
www.recanto.poetico.nom.br/jan/beiju.htm
MOMENTOS:
http://www.recanto.poetico.nom.br/jan/Momentos/index.htm
SONHOS E LEMBRANÇAS:
http://www.recanto.poetico.nom.br/jan/Sonhos-e-Lembrancas/index1.htm
Associação Internacional de Poetas:
FÊNIX- PORTUGAL
http://www.carmovasconcelos-fenix.org
A autora é participante da Academia Virtual Brasileira de Letras (AVBL), da Academia Virtual de Poetas Brasileiros (AVPB), e da Academia de Letras Ciências e Artes de Santa Rita do Sapucai (ALCA), de Minas Gerais. No dia 4 de junho foi premiada com o Troféu Cecília Meireles-Mulheres Notáveis, em Itabira, MG. No dia 3 de setembro receberá o Troféu Carlos Drummond de Andrade (nacional).
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia Feliz metade do ano
Feliz metade do ano
O primeiro semestre se foi.Voando!
E agora é necessário enfrentar a outra metade.
Enfrentar todos os riscos que a vida nos prega…
Encarar com coragem os grandes desafios…
Vamos manter total lucidez…
Façamos o caminho sempre juntos, pois podemos precisar de ajuda…
Vamos vencer com êxito todas as provas que virão…
Com muita calma e prudência…
Sempre atentos aos imprevistos…
Nada de desperdiçar tempo com pessoas que não se importam com você…
Nunca cobre o amor de alguém…
Amor é doação!
Não esqueça também de se divertir, pois sorrir é necessário… Refaz a alma!
Cooperar um com o outro…
Explorar, ir em frente…
Descobrir, aprender, conhecer…
Tudo é muito importante até mesmo a curiosidade, pois com ela nossos conhecimentos se desenvolvem…
Saiba que qualquer dificuldade e tristeza, suportaremos juntos…
Precisamos acreditar que podemos ir longe. Muito Longe!!
Podemos voar…
Decolar para o sucesso…só depende de nós!
Enfim, desejo a você que o resto do ano, tenha resultados extraordinários…
Que seus lindos sonhos sejam todos realizados…
Para você e para todos que você ama.
Feliz resto do ano!
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia Dia do Amigo
Dia do Amigo
A Carlos Eduardo Légori
Hoje me deu saudade de um amigo
Com quem há muito não me comunico,
Nesses caminhos onde, às vezes, fico,
Egoisticamente a sós comigo.
Quando a rotina me põe de castigo
Nalgum canto da vida eu sacrifico
Até mesmo a amizade a quem dedico
Os momentos felizes que consigo.
Mas Deus permita que apesar de tudo
Esse amigo tão raro a que me aludo
Permaneça feliz nalgum lugar.
Enquanto me ameniza esta saudade
Que me bateu no dia da amizade
Que a vida inteira vou comemorar.
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia Preconceitos
Preconceitos
Não tenho preconceitos, mas confesso,
Que meu gosto também tem seu limite.
Quem por trás de uma máscara se omite
Não participa do social processo.
Respeito a idéia alheia e, acredite,
Jamais a substimo ou desmereço,
Cada qual se acomoda ou paga o preço
Por tomar atitude ou dar palpite.
Eu não gosto de preto, quanto à cor,
Me causa náuseas e me poem pavor
Num estado total de rejeição.
Mas para a paz geral e, por respeito,
Me apresso a esclarecer que esse conceito,
Só se refere a um prato de feijão.
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia A foto
A foto
Eis-me aqui na ciranda de meus dias
Rodeado do carinho de alguns netos,
Que me chegam, postiços ou concretos,
Para povoarem salas já vazias.
Dizem que são, por suas alegrias,
Os filhos com o açúcar dos afetos,
Quando os caminhos ficam mais diretos,
E a vida vai perdendo as fantasias.
Tomara se retarde o vento frio
Que me jogar no espaço em rodopio
Dessa roda onde velho me denoto.
E eu seja tão somente uma saudade
Desse momento de felicidade
Que alguém, sorrindo, registrou na foto.
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jose Carlos da Silva: Livro Como nascem os anjos
A Criança-anjo e o arco-íris
Quando era criança me disseram que no fim do arco-íris havia um pote de ouro.
Pensei logo: “Nossa” vou ser “dono” de um tesouro.
Nos anos que sobravam da meninice, armado de um estilingue, eu tornei-me um intrépido caçador de arco-íris.
Certa vez, enquanto atravessava um campo em desabalada carreira, com os olhos fitos nas cores do horizonte, caí.
A serpente da desesperança, que sempre espreitava, deu o bote e me picou. Destilou todo seu veneno, mortal para os sonhos nascidos puros.
Quando levantei o arco-íris ainda estava lá, mas eu não queria continuar, havia perdido a FÉ.
Passaram-se os anos e já nem me recordava, mas não era o fim.
Podemos haver desistido do arco-íris, ainda assim, por uma GRAÇA, ele vem até nós. Um dia o arco-íris passou por minha casa.
Trouxe consigo, brincando de “escorregador”, um anjo aprendiz disfarçado de criança especial, um tesouro com o qual não sonhara.
Essa criança-anjo, sem a menor cerimônia, enfiou sua mãozinha dentro do meu peito e segurou meu coração, apertou tanto que quase me matou.
Quando soltou, seus dedos tinham deixado marcas, que inflamam ao sabor dos seus suspiros.
Depois povoou minha casa de sorrisos mágicos, capazes de inebriar a alma, deixando todos meio que “loucos” de felicidade.
Desde então, eu e minha família temos vivido como dizia um poeta (do qual não me recordo): “A vida não é para ser contada pelo número de respirações, mas pelo número de vezes que perdemos o fôlego”.
Autor (a): José Carlos da Silva
Enviado por: José Carlos da Silva
Goiânia/GO
Para saber mais sobre o livro “Como nascem os anjos” acesse: www.criancasanjosespeciais.com.br.
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia
Sala de redação
A todos os participantes do
programa da Rádio Gaúcha.
Já faz quarenta anos que estão juntos,
Estreitando as humanas relações,
Nas mais acaloradas discussões
Que envolvam futebol e seus assuntos.
Enquanto alguém provoca as opiniões
Tentando destacar-se do conjunto,
Outro é bom senso para os temas untos
No azeite que tempera as agressões.
Que permaneça a paz naquele ambiente
E sempre alguém de fora se acrescente
Substituindo a voz de quem se cala.
E o grupo se aprimore e nos distraia,
Sem reduzir-se ao último que saia
Para que não se apague a luz da sala.
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia A noiva
A noiva
Para minha afilhada Gabriela
A menina cresceu, se fez adulta.
Cabelos claros, olhos azulados.
E tenta agora os vôos mais alados,
Que o mundo facilita ou dificulta.
E nesse turbilhão, de que resulta,
O brinquedo infantil abandonado,
Ela encontrou seu príncipe encantado
Buscando a vida que o futuro oculta.
Que prossiga, Gabriela, com seu sonho,
Bem mais feliz que tudo que suponho,
Ao vê-la, noiva, iluminar a Igreja.
Enquanto, me sentindo mais sozinho,
Rogo a Deus que se torne seu padrinho,
Pelos caminhos onde eu não esteja.
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia O Predio
O prédio (Alusivo ao Ministério da Fazenda-POA/RS)
Quando percorro os longos corredores,
Que dão acesso às salas deste prédio,
Me invade uma vontade, sem remédio,
De reencontrar antigos servidores.
Me vem à mente o rotineiro assédio,
Dos compromissos e dos superiores,
Num tempo em que eu sonhava plantar flores,
Nalgum lugar que me curasse o tédio.
Vez em quando se abre alguma porta
E algum sorriso antigo me conforta,
Vindo ao encontro do que busco enfim:
Reencontrar meus amigos, numa vida,
Cada vez mais saudosa e resumida
Ao que restar do que se vai de mim.
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Filha da Auditora Fiscal Claire Feliz Regina publica livro Flores, Horrores e Amores
Lançamento
No próximo domingo, dia 19 de junho, às 15 horas, Renata Regina, filha da Auditora Fiscal Claire Feliz Regina, lança o livro Flores, Horrores e Amores. O lançamento será na livraria Martins Fontes, localizada na Avenida Paulista, nº 509, esquina com a Avenida Brigadeiro Luiz Antonio (metrô Brigadeiro).
O convite para o evento se estende a todos os colegas Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil.
Jose Cezar Matesich Pinto: Poesia Terrorismo
Terrorismo
Sangue, fumaça e pó, numa explosão,
Que um dia o mundo expos sob a vitrine,
Não serviu de lição que nos ensine
Que a paz não deve nos fugir da mão.
Pois inda que machuque e desatine,
É consenso da bélica opinião,
Que a violência que não tem perdão,
Gere um conflito que nos extermine.
O terrorismo, queiras ou não queiras,
Não respeita princípios nem fronteiras
Ao se lavar no sangue que derrama.
É a crença irracional, de que decorre,
O fanatismo de quem mata e morre
Sob comando de quem não os ama.
Autor (a): José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada/Rio Grande do Sul
Jose Peixoto Junior: Poesia O verbo
O verbo
O verbo – luz do verso, luz da prosa,
Coluna vertebral da fala humana,
Ausente num poema ou numa trova:
Retrato de pobreza franciscana.
A Língua sempre tão melodiosa
Aos requebros do verbo; soberana
Nos Tempos e nos Modos; preguiçosa
Sem eles. Adeus ares de bacana!
A custo, para trás os dois quartetos.
Cadê engenho e arte, meu poeta,
Para aquele, o segundo dos tercetos?!…
Meu verso, outrora doce, hoje acerbo,
Moroso no alcance a fácil meta,
Inútil num soneto assim: sem verbo.
Autor (a): José Peixoto Júnior
Enviada por: José Peixoto Júnior
Brasília/Distrito Federal
Euridice Macedo Pinheiro: Poesia Monalisa de Reservado
Poesia intitulada Monalisa de Reservado, de autoria da associada Eurídice Macedo Pinheiro. Em 2009, a poesia recebeu o prêmio Menção Honrosa no 1º Concurso Feminino de Poesia e Prosa, promovido pela Brazilian Endowment for the Arts (BEA), um centro cultural localizado em Nova York, que possui o objetivo de promover a cultura brasileira nos Estados Unidos.
Monalisa de Reservado
No banheiro, eu sou por inteiro.
E quem não é no banheiro verdadeiro?
Somente pele e sem panos, não há quem não se revele.
No banheiro, eu sou palhaça, eu acho graça e não disfarço.
Não nego a dor, sofro, choro e o sal da lágrima,
transforma em mar uma simples chuveirada!
No banheiro, sou sexy, sexo, sou Madona encarnada.
O sabonete, meu microfone, espuma delicada
que acaricia e amplia o desejo perfumado.
O estreito palco molhado se transforma
em um Maracanã lotado!
Enquanto o estresse desce pelo ralo.
No banheiro eu canto Roberto Carlos,
lavo as mãos nas águas de março com Elis Regina,
choro com Shakespeare, no dilema de ser ou não ser.
Rio e zombo de Descartes, aciono a descarga,
e coloco a matéria no seu devido lugar.
Sentada no vaso, relaxada,
me faço realista e dispenso o analista.
Que Freud que nada! É na privada que se descobre,
como disse o Poeta, “a delícia e a malícia de ser o que é”.
No banheiro às vezes penso: ah! Se me vissem assim…
como sou de fato, na certeza do anonimato.
Lá fora sou de direito, aqui, nunca se viu mais torta!
E, no espelho, uma Monalisa de reservado,
me olha com indisfarçável e despudorado sorriso.
A única testemunha cúmplice de mim.
Saio refeita, cara limpa, cabeça feita e alma lavada.
Autor (a): Eurídice Macedo Pinheiro
Enviada por: Eurídice Macedo Pinheiro
Salvador/BA
Claire Feliz Regina: Trabalhos Manuais (gorrinhos e faixas)
Enviada por: Claire Feliz Regina
São Paulo/SP
Amilton Paulo Lemos: poesia
Mãe
Mãe do lar,
Mãe professora,
Mãe doutora,
Mãe empresária,
Mãe comerciária,
Mãe funcionária,
Mãe operária.
Mãe solteira,
Mãe casada,
Mãe separada,
Mãe divorciada.
Mãe símbolo da mulher…
Durante a espera dos nove meses
Enfrentando os enjoos e alguma dor
Da gravidez gerada com amor.
Nasce o filho o qual amamenta.
Ensina as primeiras palavras,
Os hábitos e os primeiros passos,
E nas horas triste lhe acalenta.
Ó mãe! Sublime mãe!
Que este filho somente possa,
Carinho e alegria lhe dar,
Para sua missão se completar.
Como homenagem as nossas mães.
Seja mãe, avó, bisavó ou tataravó,
Neste dia que é todo seu,
Com as lembranças do passado,
Passe ao lado do filho amado.
Autor: Amilton Paulo Lemos (1/5/2002)
Enviada por Amilton Paulo Lemos – Curitiba/PR
Jose Cezar Matesich Pinto: poesia
Medo Cibernético
Eu me obrigo a assistir, diariamente,
No acesso fácil ao computador,
Um menino de franco-atirador,
Sobre os alvos virtuais em sua frente.
E agora um jovem de atitude doente,
Me causa, além de uma profunda dor,
O medo que o real passe a compor,
O que acontece apenas virtualmente.
E sempre e mais me assaltará esse medo,
Pois não é proibida nem segredo,
A produção de vídeos violentos.
Só me resta pedir que Deus ajude,
Evitando que infância e juventude,
Sejam razões de novos sofrimentos
José Cezar Matesich Pinto
Enviado por: José Cezar Matesich Pinto (Alvorada/RS)
Alvorada/Rio Grande do Sul
Alzira Ebe: Drogas?… Que droga!
Drogas?… Que droga!
Brasileiros, quem somos nós?
Somos os homens e as mulheres de que o Brasil precisa?
Os noticiários da televisão, rádio, jornais e revistas contêm, diariamente, 70% de más notícias.
Não agüento mais!
Sou cidadã, nascida, estudada e amadurecida no Brasil e quero o meu País ensolarado, alegre, musical, hospitaleiro e realmente “deitado em berço esplêndido”.
Fico me perguntando por que o povo brasileiro, a “matéria prima” do país, não consegue se libertar da esperteza congênita em “tirar vantagem em tudo” e da desonestidade que começa pequenina, despercebida, mas que vai, pouco a pouco, crescendo e evoluindo para o crime organizado ou para casos escandalosos.
É um fato sabido que a criminalidade, fundamentada principalmente no tráfico de drogas, tornou-se uma carreira e cada vez mais se aprofunda a demarcação entre as pessoas com trabalho honesto e os patifes e aproveitadores.
Infelizmente, a profissão de traficantes tornou-se boa e próspera, como comprova o crescimento dos delitos e de seus praticantes em todo o mundo.
Os criminosos se agrupam em regiões ou estabelecimentos nas cidades, provocando um contágio imitativo que nasce da tendência de contrair hábitos, de copiar-se a si mesmo ou seu semelhante, através dos contatos freqüentes estabelecidos entre malfeitores.
Infelizmente, essa corporação anti-social não é fechada em seu próprio seio, mas irradia-se em parte para fora, aliciando os desclassificados que ela classifica, os preguiçosos que ela ocupa e os arruinados de todos os gêneros para os quais ela oferece perspectivas de uma vida mais rica e cheia de emoções.
Tenho meditado sobre as propostas de liberação do uso de maconha, cocaína e sei lá o que mais. Será que tornando essas drogas legais, como o é a bebida alcoólica, deixando para cada um optar se convém ou não usá-las, acabará a violência advinda dos traficantes? Será?
Certamente permanece o dilema entre a liberdade individual e a proibição do consumo de drogas, pois hoje temos que lutar contra o alcoolismo dentro de nossas famílias e muitos crimes são cometidos devido à embriaguês.
Acho que devemos procurar outras soluções para minimizar a criminalidade.
Primeiramente, as famílias ou responsáveis pela formação dos jovens, precisam usar de mais vigilância e severidade, norteando-os para o caminho do que é certo e bom.
Quanto aos governantes, que dêem opções de lazer e profissão aos jovens, pobres ou não, e invistam decididamente no combate às drogas através de campanhas descentralizadas, que cheguem até as cidades, aos bairros, às ruas, às escolas e às casas onde vivem os brasileiros.
Vamos aproveitar esta fase em que nossa economia vai bem e adentrar corajosamente pelo caminho da erradicação dos vícios que temos como povo.
Já estamos conseguindo consertar nossa economia subdesenvolvida de mais de quinhentos anos, então também conseguiremos fazer uma terapia moral em cada brasileiro.
Vamos nos contentar com os bens materiais que possuímos e trabalhar para obter o que ainda não temos.
Brasileiros! Deixemos de consumir drogas, pois se não houver quem compre não haverá quem venda e assim não haverá tantos roubos, seqüestros e assassinatos.
A vida no Brasil pode ser maravilhosa para todos, desde que eduquemos nossas crianças com bons exemplos, que nos preocupemos em ter uma boa saúde e fiquemos felizes com aquilo que possuímos em vez de ficar lamentando por não ter o que o outro tem.
Para ser feliz basta pouco e quem é feliz é um REI.
Alzira Ebe.
Enviada por: Alzira Ebe (Avaré/SP)
Avaré /SP
Carlos Louzada Pascoa: poesia Um cearense no ceu
“UM CEARENSE NO CÉU”
Um justo chegando ao Céu
Cheio de curiosidade
Andou por ali ao léu
Olhando a Divina Cidade
Vibravam músicas suaves
De harpas, violinos e banjos
E, como belíssimas aves
Passavam cantando os anjos
…
Sorrisos por toda parte
Por toda parte esplendores
Mundo de prantos e dores
Quem poderá ali recordar-te?!
O justo maravilhado
Continuava o passeio
Quando de surpresa cheio
Viu um sujeito amarrado
Pegando um anjo pela asa
Pediu-lhe uma explicação
E o anjo disse:
“É um cearense saudoso
Quer voltar pro Ceará!”
Escolham um cearense arretado, “caba da peste”, para recitar esse hino ao amor à “terrinha”.
Carlos Louzada Páscoa (Brasília-DF)
Enviada por: Carlos Louzada Páscoa
Brasília/DF
Anastacia Lucia Baran: poesia Vida
Vida
No mundo da criação
Amigos somos, no ar
Na água, somos também
Se o fogo nos afligir
Temos a terra que acolhe
As vidas que o mundo tem.
Ressurreição é vida nova
Que brota dentro de nós
É vida que se renova
Na consciência mais pura
De vencermos o algoz,
Dando ao mestre uma prova
De seguirmos seu preceito
E honrarmos o que é direito.
E assim vamos caminhando
Na terra que bem nos quer
No verde que vem brotando
Com o ar se misturando
Como um sono profundo
Transformando o ar mais puro
Em oxigênio, que em tudo
Onde estamos presentes,
Conserva o nosso ente
E a nossa vida, requer.
Ressurgindo um novo ser
No meio que nos acolhe,
O amor proliferando,
Como da flor, o pólen,
A vida sempre benigna,
E trazendo lá no fundo
O mais completo enigma,
Que o criador deu ao mundo.
E como um sono tranquilo
Alegres perpetuamos,
O sonho que nós vivemos
Dele sermos semelhantes
E ter o mundo que queremos
E a vida que tanto amamos.
Anastacia Lucia Baran
Abril/1998
Enviada por: Ana Lucia Baran
Curitiba/PR
Jose Cezar Matesich Pinto: poesia Alice
ALICE
Deus eterniza a vida que nos tira
Pelas raízes que plantamos nela,
Pois sempre se há de abrir nova janela
Para que um sonho novo se adquira.
E nossa casa, então, por mais singela,
Se torna iluminada e florescida,
Quando uma neta vem, recém nascida,
Trazer a crença de que a vida é bela.
E pais e avós de coração contrito,
Agredecem a deus, lá no infinito,
Pela benção que uniu nossas familias.
E cultivam agora o sonho-anseio,
De que alice descubra em nosso meio
O encantado país das maravilhas.
José Cezar Matesich Pinto
Enviada por: José Cezar Matesich Pinto
Alvorada / RS
Amilton Lemos: poesia Mente com leveza
Mente com leveza
Perdido nos meus pensamentos,
Longe de tudo e todos,
Imagino você de uma beleza
A entrar na minha mente com leveza,
Como se fosse uma linda princesa.
Oh! Como é bela sua pessoa,
Desprendida e de tamanha pureza.
Não dá para imaginar outra mulher,
Mesmo que me esforce para esquecer,
Sua presença é constante no meu viver.
Quero voltar aos meus sombrios momentos
Sem pensar a todo instante em você.
Contudo, nada me faz esquecer.
Será meu Deus necessário este tormento
Para demonstrar quão lindo é o pensamento?
O amor que não posso nutrir,
Porém, não deixa de existir,
Vem como uma onda do mar,
Varre a minha solidão e traz
Novos alentos que me faz pensar.
Onde estou?
Amilton Paulo Lemos
9/9/2009
Enviada por: Amilton Paulo Lemos
Curitiba/PR
Almir Vieira: poesia Faxina na alma
Faxina na alma
Não importa onde você parou…
em que momento da vida você cansou…
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado…
Chorou muito?
foi limpeza da alma…
Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia…
Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos…
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora…
Pois é… agora é hora de reiniciar… de pensar na luz…
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado… diferente?
Um novo curso… ou aquele velho desejo de aprender
pintar… desenhar… dominar
o computador… ou qualquer outra coisa…
Olha quanto desafio…
quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
Besteira…
tem tanta gente que você afastou com o seu
“período de isolamento”…
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para “chegar” perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza…
nem nós mesmos nos suportamos…
ficamos horríveis…
o mal humor vai comendo nosso fígado…
até a boca fica amarga.
Recomeçar… hoje é um bom dia para começar
novos desafios.
Onde você quer chegar? ir alto… sonhe alto…
queira o melhor do melhor…
queira coisas boas para a vida…
pensando assim trazemos prá nós aquilo que desejamos…
se pensamos pequeno… coisas pequenas teremos…
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor…
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental…
joga fora tudo que te prende ao passado…
ao mundinho de coisas tristes…
fotos… peças de roupa, papel de bala… ingressos de
cinema… bilhetes de viagens…
e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos
julgamos apaixonados…
jogue tudo fora…
mas principalmente… esvazie seu coração…
fique pronto para a vida… para um novo amor…
Lembre-se somos apaixonáveis…
somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes…
afinal de contas…
Nós somos o “Amor”…
Porque somos do tamanho daquilo que vemos,
e não do tamanho da nossa altura.
Sempre vai existir um ser além de nós, e confia
nele agora, que ele guiará os teus passos …
Autoria controversa
Enviada por: Almir Vieira Marinho
São Paulo / SP
Carlos Drummond de Andrade
A Palavra Mágica
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Carlos Drummond de Andrade
Manuel Bandeira
Arte de Amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira